sexta-feira, 8 de março de 2013

Partida


Na vida, há sempre uma hora de dizer adeus,
Esperada ou não, ela encontra os seus,
Que nunca têm as palavras certas
Para perguntas sem respostas.

Quantos deles tivemos de dizer?
Mas há o derradeiro a nos eleger.
Nele, a presença se faz pela saudade,
E o sentimento de culpa, a alma invade
[Sem que a razão nos controle]

Carlos Bianchi de Oliveira
Rio de Janeiro, 07 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Desabafo

Essa dor silenciada em nome da paz,
Que mantém seu grito encerrado no peito,
Reprimido, condenado a ser incapaz
De reparar todo o mal já feito.

Essa dor, esse grito, um campo minado.
No quarto escuro dos pensamentos sem o controle da razão,
Faz seu desabafo mormente solitário e mudo.

Carlos Bianchi de Oliveira
Rio de Janeiro, 05 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Niilismo

Vivo, embora quase invisível.
Escondido no meio de muitas vozes.
Será isso possível?
Creio que sim, por vezes.

Carlos Bianchi de Oliveira
Rio de Janeiro, 1o. de março de 2013

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Croniquinha 1: Couvert Artístico, Voz e Violão


Noite em Aracaju, saí para jantar e caminhei pelo calçadão sob uma suave brisa marinha que tocava meu rosto insistentemente enquanto olhava em busca de qual lugar escolheria para fazer a minha última refeição do dia. Vi um restaurante que me agradou pela aparência e entrei.

Assim que me assentei, comecei a degustar um outro tipo de alimento, aquele que nutre a alma por meio do som. Fiz meu pedido do prato e, enquanto aguardava que fosse preparado, permaneci em êxtase pela melodia que ouvia a ecoar suavemente pelo interior do estabelecimento. Estava ali à frente aquele cantor solitário, com sua voz branda e baixa a melodiar em tom intimista saudosos clássicos brasileiros. Não era como os cantores de churrascaria que eu já ouvira antes, que fazem questão de se mostrar presentes, encarando o público à espera de um aplauso ou um bilhetinho solicitando uma canção específica. Não, não era. Com seu olhar introspectivo e cabisbaixo, parecia sentir cada nota que tirava das cordas do amigo violão em acompanhamento das notas que saiam quase tímidas das suas cordas vocais.

Eu supunha entender o que se passava com ele, pois também estava ali acompanhado unicamente por minhas reminiscências, alheio a tudo o que se passava ao meu redor nas conversas entre amigos, familiares e casais. O cantor e seu violão, ambos aparentando não se importar com o público, apenas em sentir a música, o seu repertório, escolhido por motivos a todos nós desconhecidos, mas que certamente não eram banais. Evocava, assim, as mais saudosas lembranças em meus pensamentos, o que fez com que eu tomasse a refeição sem qualquer ansiedade, fazendo a digestão em ritmo cadenciado a aproveitar cada momento daquele instante que logo terminaria.

Assim se deu. Pedi a conta e vi no papel que o garçom apresentou o valor dos serviços prestados, sendo que o primeiro e o mais significativo para mim foi o referente ao prato principal: “Couvert artístico, voz e violão”. Novamente no calçadão, para retornar ao quarto de hotel, a brisa agora tinha um outro sabor, o da satisfação pela agradável noite solitária de jantar musical.


Carlos Bianchi de Oliveira
Aracaju, 26 de fevereiro de 2013.

Estações da Alma


Difícil entender a alma humana...

Que irradia leve e solta alegria
Pelos campos da Primavera em tom e aroma floral.

Difícil entender a alma humana...

Que se faz acriançada ao sabor da Lua prateada
Em uma noite quente de Verão tropical.

Difícil entender a alma humana...

Que emudece o pensamento ao ver o céu em movimento
Nas tardes melancólicas do Outono a ventar.

Difícil entender a alma humana...


Que busca o aconchego e um doce afago
Quando o Inverno começa a se levantar.

Difícil entender a alma humana?

Então, não a tente entender, mas aceitá-la,
Porque as estações não a tornam compreensível, apenas bela.


Carlos Bianchi de Oliveira
Aracaju, 26 de fevereiro de 2013


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ao Mar




Poderoso mar,
Ouço teu som e fico a imaginar
A impetuosidade de Poseidon,
Aprisionado em tua expansão.

O mito cresce com a oralidade,
Mas a grande verdade
Está na vastidão das tuas salínicas águas,
Que combatem as rochas sem tréguas.

São tuas ondas espumantes,
Tão vivas hoje quanto antes,
Que exprimem a ideia da eternidade
Ao navegante vencido pela idade.

Teu verde azul profundo conduz
À ausência sinistra de luz
Aquele que mergulha na ânsia de voltar
À tona depois de tanto pela vida instar.

Guardas segredos em teu silêncio
Que loucamente presencio
Quando ele vem depois da tempestade
Para alimentar a marinha diversidade.

Quando olho para ti perplexo,
Vejo confuso da minha alma o reflexo.


Carlos Bianchi de Oliveira
Salvador, 19 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meus Filhos

Como são preciosos para mim!
Tê-los ao meu lado me conforta
E provoca um sensação assim
Como se abre para a vida uma porta.

Suas alegrias, seus dramas e preocupações
Não estão dissociados da minha existência,
Pois sinto de alguma forma as mesmas reações
Por apropriação, por força da paterna influência.

Meus filhos, meus amados,
Que tanto bem me proporcionam!
Com sentimentos revelados,
Suas existências me emocionam.

Queira Deus eterno que a vida nunca nos separe,
E que eu tenha a lucidez necessária,
Para o afeto que nos une repare
O efeito cruel que a senilidade a mim traria.


Carlos Bianchi de Oliveira
7 de dezembro de 2012